Refutação Bíblica ao Método de Interpretação Alegórica

Filed Under (Métodos de Interpretação Profética) by Geração Maranata on 02-05-2011

Tag:

por Geração Maranata

O presente artigo, de autoria do Prof José Nunes, faz uma análise bíblica a respeito do método de interpretação alegórica das Escrituras, adotado por muitos seminários liberais.

O Idealismo é o principal representante desse método.

Trata-se de uma interpretação, principalmente do Livro do Apocalipse, que está baseada em alegoria e símbolos não-literais.

A escola Idealista considera o Apocalipse um simbolismo da luta constante entre o Bem e o Mal e entre o Cristianismo e o Paganismo. Ela afirma que os símbolos não podem ser identificados como acontecimentos históricos no passado ou no futuro, pois são simplesmente tendências ou idéias.

"Compreendemos agora o que a palavra Apocalipse (Revelação) não significa uma revelação dos mistérios futuros do fim do mundo, do milênio ou do dia do juízo. Tampouco significa primariamente uma revelação das glorias do céu ou da beatitude dos remidos. Denota, antes, uma revelação do Deus infinito, poderoso para salvar; um descortinar, para consolo e inspiração do povo de Deus, o poder avassalador de um salvador onipotente." (Raymond Calkins)

 

por José Nunes Rodrigues Filho

"A abordagem não-literal da profecia raramente é adotada por conservadores e evangélicos atuais. Muitos liberais, que não crêem em um Deus sobrenatural que pode prever o futuro, apóiam esse ponto-de-vista por seu potencial de fazer com que o texto diga virtualmente qualquer coisa."

O texto citado deve ser analisado à luz de duas passagens Bíblicas:

A mensagem do Apóstolo Tiago trazendo uma advertência!

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” (Tiago 3:1)

Outra mensagem do Apóstolo Pedro que revela as conseqüências!

“Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”  (2 Pedro 2:1)

 

Dito isto, eu fico perplexo com o grau de ignorância de certos pseudo-teólogos, que se atrevem a ensinar coisas que eles mesmos não crêem a ponto de afirmarem que "Deus não pode prever o futuro".

“Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.” (Jeremias 2:13)

Enquanto escrevo, sinto vontade de chorar, como já o fiz ao ver a gravidade e do mal que esses pseudos-seminários liberais fazem ao doutrinar seus teólogos; e da gravidade e dano que estão causando à Igreja de Nosso Senhor Jesus, tanto na Fé genuína e pura, quanto na credibilidade da Infalível Palavra de Deus.

Se… Deus não conhece o futuro, como pôde então dizer que o Salvador viria da semente da mulher (Gênesis 3:15 )?!

Como pôde Enoque, o sétimo homem depois de Adão, ter visto a futura vinda de Cristo para julgar e governar o mundo (Judas 1:14 e 19)?!

Esta profecia, para infelicidade e por ironia, cumpre-se sobre eles mesmos por não temerem a Deus, pois negam Sua Palavra e ainda ensinam a outros. Eles mesmos não estão aptos para entrar no Reino de Deus, destroem a Fé dos que estão no Caminho e impedem os que querem entrar.

Conforme Jesus disse:

“Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando.” (Lucas 11:52)

Se Deus não conhece o futuro, o que se pode dizer da revelação que Ele deu a Abraão, que sua descendência seria peregrina no Egito (Gênesis 15:13)?!

Os sonhos de José, os de Faraó e a libertação por meio de Moisés?!

Da revelação antecipada da destruição de Sodoma e Gomorra:  “Disse o SENHOR: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer? (Gênesis 18:17)”, visto que Abraão certamente viria a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?

O que dizer então de uma revelação como está dita por Eliú:

“Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso.

Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então, lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem do seu desígnio e livrá-lo da soberba; para guardar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada.” (Jó 33:14-18)

Quando Rebeca achou-se grávida de gêmeos, consultou a Deus e Ele lhe disse:

"Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço." (Gênesis 25:23)

Quando Jeremias disse que era uma criança…

“Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.” (Jeremias 1:5)

Quando Daniel precisava saber o que Nabucodonosor sonhara, Deus lhe revelou e Daniel agradeceu:

“Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.” (Daniel 2:22)

Adverte aqueles que tentam esconder-se dEle…

“Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece?” (Isaías 29:15)

“Eis que as primeiras predições já se cumpriram, e novas coisas eu vos anuncio; e, antes que sucedam, eu vo-las farei ouvir que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.”  (Isaías 42:9-10)

Então quando chega Jesus, Ele fala a respeito da traição e Judas…

“Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!” (Marcos 14:21)

Jacó, no leito da morte, chama seus filhos e abençoa um por um, falando-lhes palavras proféticas, inclusive que de Judá viria o Salvador e séculos mais tarde Zacarias confirma a mesma palavra:

“O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos. Ele amarrará o seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta, à videira mais excelente; lavará as suas vestes no vinho e a sua capa, em sangue de uvas.” (Gênesis 49:10-11)

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” (Zacarias 9:9)

“Trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou. (Mateus 21:7)

Antes da palavra sair da boca…  “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda.” (Salmos 139:4)

Deus conhece os resultados de uma prova, sem que ela tenha passado:

“Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.” (Mateus 11:23)

Enfim!

Poderia enumerar centenas de outros textos da Palavra de Deus, mas esses já são suficientes para revelar o grau de loucura em que chegou a "Teologia Liberal", que na verdade é Apostasia Explícita, disfarçada de "visão" e que na verdade é uma cegueira mortal, pois Jesus afirmou que…

Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. “ (João 8:44)

Pois…

“… na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos.” (Tito 1:2)

“… para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; (Hebreus 6:18)

E…

“Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.” (Lucas 11:23)

Torna-se URGENTÍSSIMO voltar-se à Palavra de Deus:

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. (João 17:17)

Pois disse Deus:

"Disse-me o SENHOR: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir." (Jeremias 1:12)

“Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei." (Isaías 55:11)

Portanto…

“… e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro. (Apocalipse 22:19)

Maranata !

José Nunes Rodrigues Filho (PIB em Florianópolis–SC) é Professor de Velho Testamento e Escatologia e colunista do blog Geração Maranata

**Geração Maranata** Se for copiar cite a Fonte!

Visão Preterista e Futurista sobre Zacarias 12-14

Filed Under (Métodos de Interpretação Profética) by Geração Maranata on 05-12-2010

Tag: ,

por Geração Maranata

O escritor e conferencista Thomas Ice, ministrou certa vez um curso sobre Escatologia, tendo como convidado o Dr. Ken Gentry, um respeitado e importante preterista.

O objetivo do Dr. Ice era expor aos alunos uma posição oposta aos pontos de vistas ministrados por ele, um defensor da escola futurista.

Uma das perguntas feitas  foi sobre a  relação entre Zacarias 12-14 e o preterismo. O Dr. Gentry concordava que esta passagem era um paralelo ao “Sermão Profético” de Jesus (Mt 24-25; Mc 13; Lc 21.5-36).

No livro de Zacarias fala de “todos os povos” (Zc 12.2), “contra ela, (Jerusalém) se ajuntarão todas as nações da terra” (Zc 12.3),“eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém” (Zc 14.2). Esses versículos não pareciam estar falando da invasão Romana em 70 d.C. como é sustentado pela posição preterista.

Mais adiante, Zacarias continua dizendo: Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém” (Zc 12.8) e: “Então sairá o Senhor e pelejará contra as nações, como pelejou no dia da batalha” (Zc 14.3). Esses versos não se encaixam com o que aconteceu em Jerusalém em 70 d.C., quando os romanos conquistaram Israel.

Finalmente, a passagem diz que o Senhor salvará Israel naquele dia (Zc 14.3), ao passo que, em 70 d.C., o Senhor julgou Israel como está escrito em Lucas 21.20-24.

Mediante esses fatos, fica a pergunta: “Como os preteristas podem dizer que Zacarias fala de 70 d.C. se, nessa passagem, o Senhor está salvando o Seu povo?”

 

Interpretando o texto

Sobre a passagem de Zacarias 12-14, os preteristas não conseguem dar uma interpretação textual, porque acreditam que a passagem se refere ao julgamento de Deus sobre Israel através dos romanos em 70 d.C. – o que é seu primeiro erro.

“Zacarias 12 não profetiza o julgamento de Israel e, sim, a sua redenção”. (Greg Beale)

Zacarias 12-14 fala claramente de um tempo quando Israel será salvo pelo Senhor de um ataque de “todas as nações da terra”, não somente dos romanos – e esse é o segundo erro. Nesse contexto, evidentemente, “Israel” não se refere à Igreja, mas sim a Israel como nação.

Sendo assim, o evento de Zacarias 12-14 ainda não aconteceu na História. Isso significa que se trata de um evento futuro.

"O ônus da prova recai sobre os preteristas, para que forneçam um raciocínio exegético, tanto no que diz respeito a trocarem uma nação pagã por Israel como objeto principal do julgamento final de Daniel, como por limitarem o julgamento final principalmente a Israel e não o aplicarem universalmente." (Greg Beale)

 

A posição textual futurista

Tanto os preteristas quanto os futuristas acreditam que em Lucas 21.20-24 Jesus profetizou a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C.

Usando Lucas 21.20-24 como base, podemos observar os contrastes entre essa passagem e Zacarias 12-14:

Lucas 21.20-24:

  • Cumprimento passado: “levados cativos para todas as nações” (Lc 21.24).
  • Dia da devastação de Jerusalém (Lc 21.20).
  • Dia de vingança contra Jerusalém (Lc 21.22).
  • Dia de ira contra o povo judeu (Lc 21.23).
  • Jerusalém pisada por gentios (Lc 21.24).
  • Tempo de domínio dos gentios sobre Jerusalém (Lc 21.24).
  • Grande aflição na terra (Lc 21.23).
  • Israel cairá a fio da espada (Lc 21.24).
  • Jerusalém destruída (70 d.C.) “para se cumprir [no futuro] tudo o que está escrito” [em relação ao povo judeu] (Lc 21.22).
  • A desolação de Jerusalém tem um limite de tempo:“até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24). Isso significa que haverá um tempo de restauração para Jerusalém.
  • O Messias virá com poder e grande glória para ser visto pelo povo judeu somente depois “destas coisas” – os eventos de Lucas 21.25-28 – que são posteriores [futuros] aos acontecimentos de Lucas 21.20-24.

Zacarias 12-14:

  • Cumprimento escatológico – “naquele dia” (Zc 12.3,4,6,8,11; 13.1-12; 14.1,4,6-9).
  • Dia de livramento para Jerusalém (Zc 12.7-8).
  • Dia de vitória para Jerusalém (Zc 12.4-6).
  • Dia de ira contra as nações gentias (Zc 12.9; 14.3,12).
  • Jerusalém transformada por Deus (Zc 14.4-10).
  • Tempo de submissão dos gentios em Jerusalém (Zc 14.16-19).
  • Grande libertação para a terra (Zc 13.2).
  • As nações trarão suas riquezas para Jerusalém (Zc 14.14).
  • Jerusalém salva e redimida, para que tudo que está escrito [em relação ao povo judeu] possa se cumprir (Zc 13.1-9; Rm 11.25-27).
  • O ataque a Jerusalém é a ocasião para a destruição final dos inimigos de Israel, encerrando, assim, “o tempo dos gentios” (Zc 14.2-3,11).
  • O Messias virá em grande poder e glória durante os eventos da batalha (Zc 14.4-5).[4]

(comparação realizada por Randall Price)

Em razão das diferenças apontadas entre as passagens, fica difícil harmonizar Zacarias 12-14 com eventos já ocorridos. Apesar de contrariar a lógica, muitos preteristas sustentam o argumento do cumprimento na invasão romana.

Um outro preterista, Gary DeMar,  recentemente interpretou Zacarias 14 da seguinte forma:  “… descreve eventos que antecedem a devastação e, inclusive, a própria destruição de Jerusalém em 70 d.C.”.  O sr.  DeMar não consegue mostrar a destruição de Jerusalém no texto de Zacarias, pois analisando apenas Zacarias 14, ele falhou em oferecer qualquer evidência de que Deus está submetendo Israel ao juízo, como é claramente perceptível em Lucas 21.20-24.

Na verdade, em Zacarias, Deus está julgando as nações, pois o texto diz: Procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém(Zc 12.9), e: Eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém… sairá o Senhor e pelejará contra essas nações” (Zc 14.2-3).

Ao contrário do que diz DeMar, Deus está defendendo (Zc 12.8) e salvando (Zc 14.3) Israel dessas nações.

Exatamente como em Mateus 24, em nenhum lugar o texto fala do Senhor vindo em julgamento contra o Seu povo. Tanto Zacarias quanto Mateus estão falando da salvação de Israel (Mt 24.31), e é por isso que o cumprimento das profecias de ambas as passagens será no futuro.

 

Conclusão

A única maneira que os preteristas encontram para lidar com Zacarias 12-14 é não considerar as palavras e frases no seu contexto literário, mas simplesmente declarar que a Igreja substituiu Israel.

"Em nenhum outro capítulo da Bíblia a interpretação de “Israel” é mais importante do que em Zacarias 14. Dizer que “Israel” significa a “Igreja”, como muitos têm feito, levaria a uma grande confusão nesse capítulo e no final do capítulo 13. Por exemplo, Zacarias 13.8-9 afirma que dois terços de toda a terra (Israel) morrerão, mas poucos se arriscam a dizer que dois terços da Igreja sofrerão um massacre no dia final. É muito claro que “Israel” se refere à unidade geopolítica atualmente conhecida como o Estado de Israel."  (Walt Kaiser)

A Palavra de Deus exorta Sua Igreja a viver na expectativa de um futuro seguro e na certeza da vitória. Mantendo essa perspectiva, os crentes podem viver confiantes no presente por causa do futuro.

O passado é igualmente importante. No entanto, uma falsa visão do passado roubará do crente, no presente, a esperança de que precisamos para viver corajosamente para o nosso Senhor.

Notas:

  1. David Chilton, The Days of Vengeance: An Exposition of the Book of Revelation (Fort Worth: Dominion Press, 1987), pp. 385-86.
  2. G.K. Beale, The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text (Grand Rapids: Eerdmans, 1999), p. 26.
  3. Beale, Revelation, p. 45.
  4. Randall Price, Charting the Future (San Marcos, Tex.: gráficos com publicação privada), n.p.
  5. Gary DeMar, Last Days Madness: Obsession of the Modern Church(Atlanta, American Vision: 4th edition, 1999), pp. 437-43.
  6. DeMar, Madness, p. 437
  7. Walter C. Kaiser, The Communicator’s Commentary: Micah-Malachi(Dallas: Word, 1992), p. 417.

* Os Preteristas ensinam que a maior parte, ou até mesmo todas as profecias já se cumpriram. Acreditam que as principais porções proféticas das Escrituras (como o Sermão Profético e o livro de Apocalipse) se cumpriram nos eventos relacionados à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d. C.

 

Extraído (com adaptações) do artigo de Thoma Ice "Preterismo e Zacarias" –  http://www.pre-trib.org

 

Métodos de Interpretação profética: Literal e Alegórica

Filed Under (Métodos de Interpretação Profética) by Geração Maranata on 29-10-2010

Tag: ,

por Geração Maranata

O estudioso de escatologia tem como questão mais importante o método de interpretação das profecias na Bíblia.

Os diferentes métodos de interpretação produziram as várias posições escatológicas existentes.

Por exemplo, a diferença básica entre Amilenistas e Pré-Milenistas não é se as Escrituras ensinam um Reino terreno, como ensina o Pré-Milenistas, mas como os versículos que ensinam esse Reino terreno devem ser interpretados. Portanto, antes de qualquer debate sobre as passagens proféticas e sobre as doutrinas escatológicas, é preciso estabelecer o método básico de interpretação.

 

I. O Método Alegórico

Um antigo método de interpretação que reavivou nestes últimos tempos é o método alegórico.

Qualquer declaração de supostos fatos que aceita interpretação literal e, no entanto, requer ou simplesmente admite interpretação moral ou figurada, é chamada alegoria. É para a narrativa ou para a história, o que as figuras de linguagem são para as palavras simples, adicionando ao sentido literal dos termos empregados um sentido moral ou espiritual.

Às vezes a alegoria é pura, ou seja, sem referência direta à sua aplicação, como na história do filho pródigo. Às vezes é mista, como no Salmo 80, em que simplesmente se insinua que os judeus são o povo que a videira tem por objetivo representar. (Salmo 80:17)

Alegorização é o método de interpretar um texto literário, considerando o sentido literal veículo para um sentido secundário, mais espiritual e mais profundo.

Nesse método, o significado histórico é negado ou desprezado, e a tônica recai inteiramente num sentido secundário, de modo que as palavras ou os acontecimentos primeiros têm pouco ou nenhum significado.

 

Os perigos do método alegórico

1) O primeiro grande perigo do método alegórico é que ele não interpreta as Escrituras. Existe uma liberdade ilimitada para a fantasia, basta que se aceite o princípio, e a única base da exposição encontra-se na mente do expositor.

2) A citação anterior deixa prever, também, um segundo grande perigo no método alegórico: a autoridade básica da interpretação deixa de ser a Bíblia e passa a ser a mente do intérprete. A interpretação pode então ser distorcida pelas posições doutrinárias do intérprete, pela autoridade da igreja à qual ele pertence, por seu ambiente social e por sua formação ou por uma enormidade de fatores.

3) Um terceiro grande perigo do método alegórico é que não há meios de provar as conclusões do intérprete.

Afirmar que o principal significado da Bíblia é um sentido secundário e que o principal método de interpretação é a "espiritualização" é abrir a porta para imaginação e especulação. Por essa razão, entende-se que o controle na interpretação se encontra no método literal.

Assim, os grandes perigos inerentes a esse sistema são a eliminação da autoridade das Escrituras, a falta de bases pelas quais se podem averiguar as interpretações, a redução das Escrituras ao que parece razoável ao intérprete e, por conseguinte, a impossibilidade de uma interpretação verdadeira das Escrituras.

 

II. O Método Literal

Em oposição direta ao método alegórico de interpretação encontra-se o método literal.

O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido básico e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano, empregada de modo escrito, oral ou conceitual.

Chama-se método histórico-gramatical para ressaltar o conceito de que o sentido deve ser apurado mediante considerações históricas e gramaticais.

O sentido "literal" de uma palavra é o seu significado básico, costumeiro, social. O sentido espiritual ou oculto de uma palavra ou expressão é o que deriva do significado literal e dele depende para sua existência.

Interpretar literalmente significa nada mais, nada menos que interpretar sob o aspecto do significado normal, costumeiro. Quando o manuscrito altera seu significado, o intérprete imediatamente altera seu método de interpretação.

 

Evidências a favor do método literal

Em defesa da abordagem literal, podemos sustentar que:

a) O sentido literal das frases é a abordagem normal em todas as línguas.

b) Todos os sentidos secundários de documentos, parábolas, tipos, alegorias e símbolos dependem, para sua própria existência, do sentido literal prévio dos termos.

c) A maior parte da Bíblia tem sentido satisfatório se interpretada literalmente.

d) A abordagem literalista não elimina cegamente as figuras de linguagem, os símbolos, as alegorias e os tipos; no entanto, se a natureza das frases assim exigir, ela se presta prontamente ao segundo sentido.

e) Esse método é o único freio sadio e seguro para a imaginação do homem.

f) Esse método é o único que se coaduna com a natureza da inspiração. A inspiração completa das Escrituras ensina que o Espírito Santo guiou homens à verdade e os afastou do erro. Nesse processo, o Espírito de Deus usou a linguagem, e as unidades de linguagem (como sentido, não como som) são palavras e pensamentos. O pensamento é o fio que une as palavras. Portanto, nossa própria exegese precisa começar com um estudo de palavras e de gramática, os dois elementos fundamentais de toda linguagem significativa.

Visto que Deus concedeu Sua Palavra como revelação ao homem, teria de esperar que Sua revelação fosse dada de forma tão exata e específica que Seus pensamentos pudessem ser comunicados e entendidos corretamente quando interpretados segundo as leis da linguagem da gramática. Tomada como evidência, essa pressuposição favorece a interpretação literal, pois um método alegórico de interpretação turvaria o sentido da mensagem entregue por Deus ao homem.

O fato de que as Escrituras continuamente remetem para interpretações literais serve de prova adicional quanto ao método a ser empregado para interpretar a Palavra. Talvez uma das evidências mais fortes a favor do método literal seja o uso que o Novo Testamento faz do Antigo. Quando o Antigo Testamento é usado no Novo, só o é em sentido literal. Basta estudar as profecias que foram cumpridas na primeira vinda de Cristo — em Sua vida, em Seu ministério e em Sua morte — para comprovar esse fato.

Nem uma profecia sequer, dentre as que se cumpriram plenamente, foi cumprida de outro modo que não o literal. Embora possa ser citada uma profecia no Novo Testamento como prova de que certo acontecimento cumpre de modo parcial uma profecia (como em MT 2.17,18), ou para mostrar que um acontecimento está em harmonia com o plano preestabelecido de Deus (como em At 15), isso não torna necessário um cumprimento não literal, nem nega um cumprimento completo no futuro, pois tais aplicações da profecia não exaurem o seu cumprimento. Portanto, essas referências à profecia não servem de argumentos a favor de um método não literal.

Com base nessas considerações, conclui-se que há evidências de apoio à validade do método literal de interpretação.

 

As vantagens do método literal

Há várias vantagens neste método que o torna preferível em relação ao alegórico:

a) Baseia a interpretação em fatos. Procura estabelecer-se sobre dados objetivos — gramática, lógica, etimologia, história, geografia, arqueologia, teologia.

b) Exerce sobre a interpretação um controle semelhante ao que a experiência exerce sobre o método científico, a justificação é o controle das interpretações. Qualquer coisa que não se conforme aos cânones do método literal-cultural-crítico deve ser rejeitada ou vista com suspeita. Além disso, esse método oferece a única fiscalização fidedigna para a constante ameaça de aplicar uma interpretação de duplo sentido às Escrituras.

c) Tem obtido o maior sucesso na exposição da Palavra de Deus. A exegese não começou a sério até a igreja já ter mais de um milênio e meio de idade. Com o literalismo de Lutero e de Calvino, a luz da Escritura literalmente se acendeu.  Esse é o aclamado método da alta tradição escolástica do protestantismo conservador. É o método de Bruce, Lightfoot, Zahn, A. T. Robertson, Ellicott, Machen, Cremer, Terry, Farrar, Lange, Green, Oehler, Schaff, Sampey, Wilson, Moule, Perowne, Henderson Broadus, Stuart — para citar apenas alguns exegetas típicos.

Além dessas vantagens, pode-se acrescentar que este tipo de interpretação nos fornece uma autoridade básica por meio das quais, interpretações individuais podem ser postas a prova.

O método alegórico, que depende da abordagem racionalista do intérprete ou da conformidade a um sistema teológico predeterminado, deixa-nos sem uma verificação autorizada por base. No método literal, uma passagem da Escritura pode ser comparada a outra, pois, como Palavra de Deus, tem autoridade e é o padrão pelo qual toda verdade deve ser testada.

Com respeito a isso, pode-se observar que o método nos livra tanto da razão quanto do misticismo como requisitos da interpretação. Não é necessário depender de treinamento ou de capacidade intelectual, nem do desenvolvimento de percepção mística, e sim da compreensão do que está escrito em sentido comumente aceito. Somente sobre esse fundamento o leitor médio pode compreender e interpretar as Escrituras por si mesmo.

 

O método literal e a linguagem figurada

Todos reconhecem que a Bíblia está repleta de linguagem figurada. Com base nisso, muitas vezes afirma-se que o uso de linguagem figurada exige interpretação figurada.

No entanto, figuras de linguagem são usadas como meios de revelar verdades literais. O que é literalmente verdadeiro em determinado campo, com o qual se esta familiarizada; é transposto literalmente para outro campo, com o qual talvez não se esteja tão familiarizado, para ensinar alguma verdade nesse campo menos conhecido.

Se as palavras são empregadas em seu significado natural e primitivo, o sentido que expressam é o seu sentido literal estrito. Por outro lado, se são empregadas com um significado figurado e derivado, o sentido, embora ainda literal, é geralmente chamado metafórico ou figurado. Por exemplo, quando lemos em João 1.6 "Houve um homem […] cujo nome era João", é óbvio que os termos ali empregados são tomados estrita e fisicamente, pois o escritor fala de um homem real, cujo nome real era João. Por outro lado, quando João Batista, apontando para Jesus, disse: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1.29), também é claro que ele não usou a palavra "cordeiro" no mesmo sentido literal estrito que teria excluído toda metáfora ou figura de linguagem e denotado um cordeiro real: o que ele queria imediata e diretamente comunicar, isto é, o sentido literal de suas palavras, é que no sentido derivado e figurado Jesus podia ser chamado "Cordeiro de Deus". No primeiro caso, as palavras foram usadas em sentido literal estrito; no segundo, em sentido metafórico ou figurado.

O fato de os livros das Sagradas Escrituras terem sentido literal (estrito ou metafórico), isto é, sentido imediata e diretamente pretendido pelos escritores, é uma verdade tão clara em si mesma e ao mesmo tempo tão universalmente aceita, que seria inútil insistir nela aqui.

Será que alguma passagem das Sagradas Escrituras tem mais que um sentido literal? Todos admitem que, uma vez que os livros sagrados foram compostos por homens e para homens, seus autores naturalmente conformaram se a mais elementar regra dos relacionamentos humanos; que exige que apenas um sentido preciso seja imediata e diretamente pretendido pelas palavras de quem fala ou de quem escreve.

O literalista não nega a existência de linguagem figurada. Porém, ele nega que tais figuras devam ser interpretadas de modo que destruam a verdade literal pretendida pelo emprego das figuras. A verdade literal deve ser informada por meio dos símbolos.

 

Algumas objeções ao método literal

1) A linguagem da Bíblia muitas vezes contém figuras de linguagem. É o caso, sobretudo, da poesia.  Na poesia dos Salmos, no estilo elevado da profecia e mesmo na simples narrativa histórica surgem figuras de linguagem que obviamente não tinham o propósito de ser entendidas literalmente.

2) O grande tema da Bíblia é Deus e Seus atos redentores para com a humanidade. Deus é Espírito; os ensinos mais preciosos da Bíblia são espirituais, e essas realidades espirituais e celestiais são muitas vezes apresentadas sob a forma de objetos terrenos e relacionamentos humanos.

3) O fato de que o Antigo Testamento é ao mesmo tempo preliminar e preparatório ao Novo Testamento é tão óbvio que dispensa prova. Ao remeter os crentes de Corinto, a título de advertência, aos acontecimentos do Êxodo, o apóstolo Paulo declarou que aquelas coisas lhes haviam sobrevindo como "exemplos" (tipos). Isto é, prefiguravam coisas por vir. Isso confere a muito do que está no Antigo Testamento significância e importância especiais.  Tal interpretação reconhece, à luz do cumprimento no Novo Testamento, um sentido mais profundo e muito mais maravilhoso nas palavras de muitas passagens do Antigo Testamento do que aquele que, tomadas em seus antecedentes veterotestamentários, elas parecem possuir.

Em resposta ao primeiro desses argumentos, é necessário reconhecer o uso bíblico das figuras de linguagem. Como se ressaltou previamente, as figuras de linguagem podem ser usadas para ensinar verdades literais de maneira mais vibrante que as palavras corriqueiras, mas nem por isso exigem interpretação alegórica.

Com respeito ao segundo argumento, embora se reconheça que Deus é um ser espiritual, a única maneira pela qual Ele poderia revelar a verdade de um Reino, no qual ainda não entramos, seria traçando um paralelo entre esse Reino e o Reino em que agora vivemos. Por meio da transferência de algo que é literalmente verdadeiro no Reino conhecido para o Reino desconhecido, este nos será revelado. O fato de Deus ser espiritual não exige interpretação alegórica. E preciso distinguir entre o que é espiritual e o que é espiritualizado.

Por fim, com respeito à terceira objeção, embora se reconheça que o Antigo Testamento é preditivo, e que o Novo desenvolve o Antigo, a plenitude não é revelada no Novo por meio da alegorização do que é tipificado no Antigo; é revelada, isto sim, pelo cumprimento literal e pelo desenvolvimento da verdade literal dos tipos. Estes podem ensinar verdade literal, e o uso de tipos no Antigo Testamento não serve de apoio para o método alegórico de interpretação.

 

Livro pesquisado: Manual de Escatologia de Dwight Pentecost

Início | Download | Links | Contato
Misso Portas Abertas JMM ANEM
Destino Final Heart Cry Jocum Missao Total Missao Total Projeto Paraguai