Quando uma profecia é cumprida na história? Futurismo

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This entry is part 3 of 4 in the series Quando uma profecia é cumprida na história?

por Geração Maranata

Há quatro pontos de vista sobre possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica:

Presente (Historicismo)

Passado (Preterismo)

Futuro (Futurismo)

Atemporal (Idealismo)

Nesta última série será abordado o Futurismo.

O Futurismo é uma das quatro possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica. Ele tenta responder à pergunta:

“Quando uma profecia é cumprida na história?”

 

Futurismo

Os Futuristas defendem a tese de que todos os eventos proféti­cos só ocorrerão depois de encerrada a “Era da Igreja”, a qual ainda estamos vivendo.

As profecias do Livro do Apocalipse, do Livro de Daniel, o discurso no Monte das Oliveiras e o termo “Ovelhas e Bodes” ocorrerão no futuro, durante a Grande Tribulação, na 2ª vinda de Jesus Cristo e no Milênio.  O cumprimento é literal, físico, apocalíptico e global.

O Futurismo era a tese adotada na Igreja primitiva, que acreditava nos eventos futuros.

Dos quatro pontos de vista é o único que apóia o pré-tribulacionismo, onde o Arrebatamento está relacionado com o momento histórico em que ocorrerá a Tribulação.

O Preterismo declara que a Tribulação já ocorreu.

Uma das vertentes do Historicismo declara que a Tribulação começou no século IV com os eventos relacionados com a cristianização do Im­pério Romano iniciada por Constantino e que ela continuará até a Segunda Vinda.

O Idealismo nega que seja possível estabelecer uma data para qualquer desses eventos.

 

Grupos

 

Os Futuristas podem se dividir em dois grupos:

- Futuristas extremos – Acreditam que todo o Apocalipse refere-se à vinda do Senhor Jesus Cristo.

- Futuristas simples – Aceitam que os três primeiros capítulos do livro já foram cumpridos; o restante se refere à aparição vindoura de Cristo.

A maioria dos Pentecostais tem uma visão futurista . Crêem que tudo ou quase tudo após o capítulo quatro do Apocalipse será cumprido num espaço de tempo de sete anos, após o término da Dispensação da Igreja (ou Era da Igreja, ou Tempo dos Gentios).

Os futuristas que buscam interpretar o Apocalipse, também se dividem quando abordam o Milênio (Ap 20). [artigo a ser publicado]

Visão Histórica do Futurismo

Embora não tão consistente como o Futurismo moderno, a Igreja Primitiva pode ser classificada como Futurista, mais do que qualquer das outras três possibilidades (Preterismo, Historicismo e Idealismo).  Com poucas exceções, a Igreja Primitiva acreditava que os eventos da tribulação, do milênio e a segunda vinda aconteceriam em algum tempo no futuro.

A teoria amilenista iniciou no século III e foi difundida com a cristianização do Império Romano através do Imperador Constantino no século IV, a partir daí o Futurismo começou a ser deixado de lado.

No início do século IV para o V a influência de Jerônimo e Agostinho, contrários ao Futurismo, fez com que essa teoria ficasse neutralizada durante a era de mil anos da Idade Média.

Porém, durante esse tempo, o Futurismo permaneceu em grupos que não aceitavam a autoridade católica romana.

A Reforma trouxe um retorno ao estudo das origens da Igreja Primitiva. No Norte da Europa alguns escritores, de dentro da Igreja Católica Romana ajudaram na renovação do estudo da profecia de uma perspectiva Futurista, seguidos por escritores das Igrejas Reformadas Protestantes.

 

Apocalíptica Medieval

Os que criticam a visão Futurista tomam por base que essa teoria é nova, tendo surgido no século XIX com Darby e os Irmãos Plymouth.

Isso não consiste em verdade, pois apesar de não haver muitos manuscritos, não quer dizer que o Futurismo não existisse como uma visão profética.

Antes da invenção da imprensa, quando tudo era escrito à mão, milhões de manuscritos de cartas e estudos teológicos e sermões desapareceram naturalmente pela ação do tempo, somente sendo conservados aqueles que foram copiados e recopiados e foram cuidadosamente guardados.

Igreja Romana queimou milhões de escritos de pregadores. Por exemplo, os Valdenses foram praticamente aniquilados e tiveram queimados seus dois grandes prédios armazenadores de livros e outros manuscritos, milhares de cópias de Bíblia, de livros de Teologia, e sermões.

Portanto, em geral, o silêncio de documentos sobre alguma doutrina não tem o poder de desmenti-la. Só a Bíblia põe de pé ou derruba qualquer doutrina.

Porém, tem havido descobertas da apocalíptica medieval em diferentes graus de futurismo.

 

Ephraem, o Sírio (306-373 dC)

Compositor de hinos e Teólogo do século IV d.C, ensinou claramente que os crentes serão arrebatados ao céu antes da Tribulação. Ele era de Nisibis, na borda oriental do Império Romano (cerca de 100 quilômetros noroeste de Nínive). Ephraem foi um bem conhecido e prolífico escritor Sírio e testemunha de início do Cristianismo.
Segue-se parte do sermão de Ephraem chamado "Sobre os últimos tempos, o Anticristo, e o fim do mundo." Tal sermão é reconhecido como estando entre os mais interessantes de textos apocalípticos do início da Idade Média. O sermão descreve os acontecimentos dos últimos dias, começando com o Arrebatamento, a Grande Tribulação de 3 1 / 2 anos de duração sob o domínio do Anticristo, seguido da segunda vinda de Cristo. A tradução do latim (há quatro manuscritos conhecidos) deste sermão inclui o seguinte segmento:

"Porque todos os santos e os eleitos de Deus são reunidos antes da tribulação que está para vir, e são levados ao Senhor para que não vejam a confusão que está a oprimir o mundo por causa de nossos pecados"

(Traduzido por Hélio de M.S. a partir da tradução do texto latino para o inglês, [Christiania, 1890, pp. 208-20], feita por CameronRhoades, professor de Latim no Tyndale Theological Seminary, em Fort. Worth, TX).

Em outro livro de Ephraem  “O Livro da Caverna dos Tesouros”, escrita em cerca de 370 d.C., ele expressou sua crença de que a 69ª. de Daniel terminou com a rejeição e crucificação de Jesus, o Messias. (O Livro da Caverna de Tesouros, p. 235) Este ensino dispensacionalista também apóia o Arrebatamento Pré-Tribulação.

 

Ressurgimento do Futurismo

O Futurismo ressurgiu no final da Idade Média e foi inialmente implementada pelos Jesuítas, como uma posição apologética à visão profética do Historicismo.  Os Jesuítas estipularam que as profecias relativas ao aparecimento do Anticristo não tinham nada a haver com o Papa Romano daquele tempo, mas com o aparecimento do homem do pecado no fim dos tempos, como era o ponto de vista da Igreja primitiva. (Obs: Os Futuristas de hoje não negam a probabilidade de que o Papado possa estar envolvido com o aparecimento do Anticristo no fim dos tempos.)

Devido à visão Historicista na Idade Média até a Reforma, se levantaram vários escritores que publicaram artigos apoiando a visão Futurista.

O jesuíta Francisco Ribera (1537-1591) foi um dos primeiros a reviver uma forma rudimentar de Futurismo em torno de 1580.

Devido à dominância do Historicismo, o Futurismo não progrediu até a Reforma Protestante em 1820.

No final de 1820, o Futurismo começou a ganhar adeptos e crescer nas Ilhas Britânicas, muitas vezes motivado por um interesse reavivado no plano de Deus para Israel, durante o qual ele ganhou um dos seus mais influentes proponente: John Nelson Darby.

Através de Darby e outros expositores, o Futurismo espalhou-se para a América e em todo o mundo evangélico.

Nos próximos cem anos viu-se, pela primeira vez, o pleno desenvolvimento do Futurismo consistente. Isso levou, por sua vez, para a formulação do dispensacionalismo e uma compreensão mais clara do arrebatamento da igreja.

 

Personalidades

Francisco Ribeira (1537-1591)

Espanhol, teólogo e padre jesuíta teria desenvolvido, de forma rudimentar, o conceito de Futurismo como o conhecemos hoje. Escreveu um comentário de 500 páginas sobre o livro do Apocalipse (1585), seis anos antes de sua morte (1591). O comentário foi escrito sob um ponto de vista histórico porque em sua época, havia uma convicção que o catolicismo e seu Papa eram o sistema do Anticristo e o próprio Anticristo.  Isso interromperia o fogo cerrado que colocava o Papa e a Igreja Católica como o Anticristo e seu governo. Estes eventos foram colocados em um período no futuro, três anos e meio antes do retorno de Cristo (o que está de acordo com os ensinos dos pais de Igreja primitiva). Esperava-se que a conclusão que seria tirada do comentário de Ribera, que a Igreja católica daquele tempo, não poderia ser o sistema do Anticristo encabeçado pelo Papa de Roma.

Em seu comentário, Ribera cria que o arrebatamento aconteceria 45 dias antes do fim do período de três anos e meio de tribulação (um tipo de Pré-Ira). Esta era a primeira vez que a segunda vinda era dividida em duas vindas separadas, sendo que uma delas seria para a Igreja e, uma outra vinda, ao término do período da grande tribulação, juntamente com a Igreja, que já teria sido, anteriormente, arrebatada, e que voltaria com Cristo.

Robert Bellarmine (1542-1621)

Cardeal e Apologista jesuíta desenvolveu o conceito pluralista do Futurismo. Escreveu  "Conferências Polêmicas Relativas aos Pontos Disputados da Convicção Cristã Contra os hereges deste tempo”. Seu propósito era refutar a teoria histórica de figurar os 1260, 1290 ou 2300 dias de Daniel, como se fossem anos.

Manuel de Lacunza (1731-1801)

Padre jesuíta escreveu um livro com o pseudônimo ”Rabino Bem Ezra“ com o título: “A Vinda do Messias em Glória e Majestade”. Neste livro ele defende a tese de que a igreja seria arrebatada 45 dias antes do retorno de Jesus a Terra. Durante esses 45 dias Deus estaria julgando a maldade na terra. Lacunza não promoveu um arrebatamento pré-tribulacionista  antes do aparecimento do Anticristo. Seu arrebatamento aconteceria 45 dias antes do final da 70ª semana de Daniel.

Morgan Edwards (1722-1795)

Ministro Batista, escreveu sobre a doutrina pré-tribulacionista em torno de 1740. Nesta obra, Edwards expos suas visões sobre um arrebatamento pré-tribulacionista que reuniria a Igreja.  Aparentemente ele não se baseou em outros trabalhos, sua intenção era fazer oposição aos historicistas e amilenaristas. Trecho de um escrito seu:

“Eu digo, “um pouco mais”, porque os santos mortos serão ressuscitados e os [santos] vivos [serão] mudados na ocasião "a encontrar o Senhor nos ares" (I Tess. Iv.17), e isto ocorrerá cerca de três anos e meio antes do [início do] milênio, como veremos a seguir: mas será que Ele [Cristo] e eles [os salvos arrebatados] permanecerão no ar durante todo esse tempo? Não: eles vão ascender ao paraíso, ou para algumas das muitas das "mansões na casa do pai" (João XIV.2), e desaparecem durante o período de tempo antes mencionado. O propósito dessa retirada e desaparecimento será o de julgar os santos ressurretos e mudados [para corpos glorificados], porque "agora é tempo que comece o julgamento", e isto se dará "na casa de Deus" (I Ped. Iv.17.). . . (Página 7; a grafia de todas as citações de Edwards foram modernizadas.

Samuel Roffey Maitland (1792-1866)

Advogado e Bibliotecário da Igreja Anglicana, diz-se que, após ler o livro de Lacunza, passou a promover o Futurismo a partir de 1826. Começou a ensinar que o período de Tribulação seria três anos e meio.

John Nelson Darby (1800-1882)

Sacerdote irlandês, Futurista, pré-milenista, é considerado o pai do ‘Dispensacionalismo’ que, entre outros ensinamentos, argumentou que havia uma radical descontinuidade entre a igreja e Israel, defendendo dessa forma a existência de dois povos distintos pertencentes a Deus, o qual tinha planos diferentes para cada um desses povos.

Junto com essa crença de uma separação entre a igreja e Israel, os dispensacionalistas defendem que a igreja será arrebatada antes da septuagésima semana profetizada por Daniel (Dn. 9.24-27), período também conhecido como a “Grande Tribulação”.

Realizou uma tradução da Bíblia baseada nos textos hebraicos e gregos, chamada em inglês The Holy Scriptures: A New Translation from the Original Languages by J. N. Darby, também traduzida para o alemão e francês. No Brasil essa Bíblia de Estudos é chamada de ‘Bíblia de Referência Scofield’.

Edward Irving (1792-1834)

Ministro presbiteriano escocês. Estudioso das profecias bíblicas, traduziu as obras de Manuel Lacunza (padre jesuíta) para o inglês e pregava o eminente retorno de Jesus Cristo. Entre suas interpretações, ensinava que nos últimos dias haveria uma nova manifestação do Espírito Santo, o que valeu sua expulsão do presbitério de Londres em 1830.

Os seguidores de Irving organizaram a Holy Catholic Apostolic Church, com a intenção de difundir os ensinamentos de Irving entre os protestantes, católicos e ortodoxos. Visavam o re-estabelecimento do retorno do apostolado, da profecia, do selo (imposição das mãos para receber o Espírito Santo) e o dom de línguas.

Alguns acusam Irving de ‘espírita’ e ‘médium’ por causa de manifestações espirituais, conhecido hoje por movimento Pentecostal.

Defesa da Teoria Futurista

É possível desenvolver uma defesa do Futurismo a partir da Bí­blia, contrastando e comparando o Futurismo com as outras três abordagens interpretativas. Por exemplo:

1 – É possível mostrar que o Futurismo é preferível ao Preterismo, demonstrando que textos específicos da Escritura indicam que o termo "Vinda", nas passagens debatidas, refere-se a uma volta corporal de Cristo a terra, não uma ‘vinda mística’ mediada pelo exército romano, como alegam os Preteristas.

2 – Uma área que dá vantagem ao Futurismo sobre o Histo­ricismo é a demonstração de que os números que se relacionam a ‘dias, meses e anos’ devem ser aceitos literalmente. Não há base bí­blica para que dias sejam interpretados como anos.

3 – Um argumento principal que dá vantagem ao Futurismo sobre o Idealismo é o fato de que os números são importantes. Em outras palavras, por que razão Deus forneceria centenas de indicadores cronológicos e temporais na Bíblia se não tivesse a intenção de cumpri-los?

O Futurismo interpreta a Bíblia de maneira li­teral e, depois de fazê-lo, harmoniza suas conclusões num sistema teológico coerente.

Outra prova que o Futurismo defende é a compreensão de Israel como povo de Deus e o plano que Ele estabeleceu para eles. Quando vemos a Bíblia usando o termo "Israel", lembramos que Ele sempre se refere às mesmas pessoas ao longo de toda a Bíblia, então segue-se que muitas passagens que se referem a Israel nunca foram cumpridas e para que sejam cumpridas eles terão de ocorrer no futuro.

Uma passagem que ilustra este é Deuteronômio 4:25-31.

“Quando, pois, gerardes filhos, e filhos de filhos, e vos envelhecerdes na terra, e vos corromperdes, e fizerdes alguma escultura, semelhança de alguma coisa, e fizerdes o que é mau aos olhos do SENHOR teu Deus, para o provocar à ira;

Hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente logo perecereis da terra, a qual passais o Jordão para a possuir; não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos.

E o SENHOR vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as nações às quais o SENHOR vos conduzirá.

E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram.

Então dali buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.

Quando estiverdes em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então nos últimos dias voltarás para o SENHOR teu Deus, e ouvirás a sua voz.

Porquanto o SENHOR teu Deus é Deus misericordioso, e não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá da aliança que jurou a teus pais.”

 

A leitura literal do texto terá de admitir que os dois últimos eventos em negrito vermelho ainda têm de ser cumpridas por Israel da mesma forma literal em que historicamente os três primeiros eventos, em negrito azul, foram cumpridos.  Assim, a realização dos dois últimos acontecimentos na vida de Israel terá de acontecer no futuro. Este é um sólido argumento de visão Futurista da profecia, pois este tipo de argumento pode ser aplicado em toda a Bíblia. (Veja também Deut. 27-32 para uma expansão de 4:25-31).

 

CONCLUSÃO

Assim como pessoas, lugares e tempos devem ser entendidos literalmente em Gênesis 1-11, também os textos re­lacionados ao tempo do fim devem ser entendidos da mesma for­ma. Dias significam dias; anos significam anos; meses significam meses.

Assim, a única maneira pela qual o livro do Apocalipse e outras porções proféticas da Bíblia farão qualquer sentido, é se fo­rem entendidas de forma literal. Isso significa que a maior parte delas ainda não aconteceu, sendo, portanto, futuras.

Cerca de um terço da Bíblia consiste em profecia, e a maior parte dessa profecia versa sobre o futuro. Uma vez que uma abordagem coerentemente literal de toda a Bíblia, inclusive das partes proféti­cas é a maneira correta de entender a revelação de Deus ao ho­mem, a abordagem Futurista é a maneira correta de considerar a cronologia da profecia bíblica.

Proponentes:

O Futurismo tem variantes antigas e modernas; a mais comum entre os modernos evangélicos protestantes é o Dispensacionalismo.  A maioria dos cristãos acredita que Jesus voltará para cumprir o resto da profecia messiânica. Proponentes conhecidos:

  • Gleason Archer
  • Donald Barnhouse
  • Martin De Haan
  • Raymond Duck
  • Arno Clemens Gaebelein
  • Norman Geisler
  • Harry A. Ironside
  • Walter Kaiser, Jr.
  • Hal Lindsey [6]
  • Ernst Lohmeyer
  • John Fullerton MacArthur
  • J. Vernon McGee
  • Henry Madison Morris
  • William A. Newell
  • J. Dwight Pentecost
  • John Bertram Phillips
  • Francisco Ribera
  • Charles Caldwell Ryrie
  • Ray Stedman
  • Merrill Tenney
  • John Walvoord
  • Warren W. Wiersbe

Geração Maranata (se for reproduzir, informe a fonte)

Fontes:

Livro “Profecias de A a Z” de Thomas Ice & Timothy Demy

http://www.pre-trib.org

http://solascriptura-tt.org/

http://pt.wikipedia.org

http://www.verdade-viva.net

Visão Preterista e Futurista sobre Zacarias 12-14

Filed Under (Métodos de Interpretação Profética) by Geração Maranata on 05-12-2010

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por Geração Maranata

O escritor e conferencista Thomas Ice, ministrou certa vez um curso sobre Escatologia, tendo como convidado o Dr. Ken Gentry, um respeitado e importante preterista.

O objetivo do Dr. Ice era expor aos alunos uma posição oposta aos pontos de vistas ministrados por ele, um defensor da escola futurista.

Uma das perguntas feitas  foi sobre a  relação entre Zacarias 12-14 e o preterismo. O Dr. Gentry concordava que esta passagem era um paralelo ao “Sermão Profético” de Jesus (Mt 24-25; Mc 13; Lc 21.5-36).

No livro de Zacarias fala de “todos os povos” (Zc 12.2), “contra ela, (Jerusalém) se ajuntarão todas as nações da terra” (Zc 12.3),“eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém” (Zc 14.2). Esses versículos não pareciam estar falando da invasão Romana em 70 d.C. como é sustentado pela posição preterista.

Mais adiante, Zacarias continua dizendo: Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém” (Zc 12.8) e: “Então sairá o Senhor e pelejará contra as nações, como pelejou no dia da batalha” (Zc 14.3). Esses versos não se encaixam com o que aconteceu em Jerusalém em 70 d.C., quando os romanos conquistaram Israel.

Finalmente, a passagem diz que o Senhor salvará Israel naquele dia (Zc 14.3), ao passo que, em 70 d.C., o Senhor julgou Israel como está escrito em Lucas 21.20-24.

Mediante esses fatos, fica a pergunta: “Como os preteristas podem dizer que Zacarias fala de 70 d.C. se, nessa passagem, o Senhor está salvando o Seu povo?”

 

Interpretando o texto

Sobre a passagem de Zacarias 12-14, os preteristas não conseguem dar uma interpretação textual, porque acreditam que a passagem se refere ao julgamento de Deus sobre Israel através dos romanos em 70 d.C. – o que é seu primeiro erro.

“Zacarias 12 não profetiza o julgamento de Israel e, sim, a sua redenção”. (Greg Beale)

Zacarias 12-14 fala claramente de um tempo quando Israel será salvo pelo Senhor de um ataque de “todas as nações da terra”, não somente dos romanos – e esse é o segundo erro. Nesse contexto, evidentemente, “Israel” não se refere à Igreja, mas sim a Israel como nação.

Sendo assim, o evento de Zacarias 12-14 ainda não aconteceu na História. Isso significa que se trata de um evento futuro.

"O ônus da prova recai sobre os preteristas, para que forneçam um raciocínio exegético, tanto no que diz respeito a trocarem uma nação pagã por Israel como objeto principal do julgamento final de Daniel, como por limitarem o julgamento final principalmente a Israel e não o aplicarem universalmente." (Greg Beale)

 

A posição textual futurista

Tanto os preteristas quanto os futuristas acreditam que em Lucas 21.20-24 Jesus profetizou a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C.

Usando Lucas 21.20-24 como base, podemos observar os contrastes entre essa passagem e Zacarias 12-14:

Lucas 21.20-24:

  • Cumprimento passado: “levados cativos para todas as nações” (Lc 21.24).
  • Dia da devastação de Jerusalém (Lc 21.20).
  • Dia de vingança contra Jerusalém (Lc 21.22).
  • Dia de ira contra o povo judeu (Lc 21.23).
  • Jerusalém pisada por gentios (Lc 21.24).
  • Tempo de domínio dos gentios sobre Jerusalém (Lc 21.24).
  • Grande aflição na terra (Lc 21.23).
  • Israel cairá a fio da espada (Lc 21.24).
  • Jerusalém destruída (70 d.C.) “para se cumprir [no futuro] tudo o que está escrito” [em relação ao povo judeu] (Lc 21.22).
  • A desolação de Jerusalém tem um limite de tempo:“até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24). Isso significa que haverá um tempo de restauração para Jerusalém.
  • O Messias virá com poder e grande glória para ser visto pelo povo judeu somente depois “destas coisas” – os eventos de Lucas 21.25-28 – que são posteriores [futuros] aos acontecimentos de Lucas 21.20-24.

Zacarias 12-14:

  • Cumprimento escatológico – “naquele dia” (Zc 12.3,4,6,8,11; 13.1-12; 14.1,4,6-9).
  • Dia de livramento para Jerusalém (Zc 12.7-8).
  • Dia de vitória para Jerusalém (Zc 12.4-6).
  • Dia de ira contra as nações gentias (Zc 12.9; 14.3,12).
  • Jerusalém transformada por Deus (Zc 14.4-10).
  • Tempo de submissão dos gentios em Jerusalém (Zc 14.16-19).
  • Grande libertação para a terra (Zc 13.2).
  • As nações trarão suas riquezas para Jerusalém (Zc 14.14).
  • Jerusalém salva e redimida, para que tudo que está escrito [em relação ao povo judeu] possa se cumprir (Zc 13.1-9; Rm 11.25-27).
  • O ataque a Jerusalém é a ocasião para a destruição final dos inimigos de Israel, encerrando, assim, “o tempo dos gentios” (Zc 14.2-3,11).
  • O Messias virá em grande poder e glória durante os eventos da batalha (Zc 14.4-5).[4]

(comparação realizada por Randall Price)

Em razão das diferenças apontadas entre as passagens, fica difícil harmonizar Zacarias 12-14 com eventos já ocorridos. Apesar de contrariar a lógica, muitos preteristas sustentam o argumento do cumprimento na invasão romana.

Um outro preterista, Gary DeMar,  recentemente interpretou Zacarias 14 da seguinte forma:  “… descreve eventos que antecedem a devastação e, inclusive, a própria destruição de Jerusalém em 70 d.C.”.  O sr.  DeMar não consegue mostrar a destruição de Jerusalém no texto de Zacarias, pois analisando apenas Zacarias 14, ele falhou em oferecer qualquer evidência de que Deus está submetendo Israel ao juízo, como é claramente perceptível em Lucas 21.20-24.

Na verdade, em Zacarias, Deus está julgando as nações, pois o texto diz: Procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém(Zc 12.9), e: Eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém… sairá o Senhor e pelejará contra essas nações” (Zc 14.2-3).

Ao contrário do que diz DeMar, Deus está defendendo (Zc 12.8) e salvando (Zc 14.3) Israel dessas nações.

Exatamente como em Mateus 24, em nenhum lugar o texto fala do Senhor vindo em julgamento contra o Seu povo. Tanto Zacarias quanto Mateus estão falando da salvação de Israel (Mt 24.31), e é por isso que o cumprimento das profecias de ambas as passagens será no futuro.

 

Conclusão

A única maneira que os preteristas encontram para lidar com Zacarias 12-14 é não considerar as palavras e frases no seu contexto literário, mas simplesmente declarar que a Igreja substituiu Israel.

"Em nenhum outro capítulo da Bíblia a interpretação de “Israel” é mais importante do que em Zacarias 14. Dizer que “Israel” significa a “Igreja”, como muitos têm feito, levaria a uma grande confusão nesse capítulo e no final do capítulo 13. Por exemplo, Zacarias 13.8-9 afirma que dois terços de toda a terra (Israel) morrerão, mas poucos se arriscam a dizer que dois terços da Igreja sofrerão um massacre no dia final. É muito claro que “Israel” se refere à unidade geopolítica atualmente conhecida como o Estado de Israel."  (Walt Kaiser)

A Palavra de Deus exorta Sua Igreja a viver na expectativa de um futuro seguro e na certeza da vitória. Mantendo essa perspectiva, os crentes podem viver confiantes no presente por causa do futuro.

O passado é igualmente importante. No entanto, uma falsa visão do passado roubará do crente, no presente, a esperança de que precisamos para viver corajosamente para o nosso Senhor.

Notas:

  1. David Chilton, The Days of Vengeance: An Exposition of the Book of Revelation (Fort Worth: Dominion Press, 1987), pp. 385-86.
  2. G.K. Beale, The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text (Grand Rapids: Eerdmans, 1999), p. 26.
  3. Beale, Revelation, p. 45.
  4. Randall Price, Charting the Future (San Marcos, Tex.: gráficos com publicação privada), n.p.
  5. Gary DeMar, Last Days Madness: Obsession of the Modern Church(Atlanta, American Vision: 4th edition, 1999), pp. 437-43.
  6. DeMar, Madness, p. 437
  7. Walter C. Kaiser, The Communicator’s Commentary: Micah-Malachi(Dallas: Word, 1992), p. 417.

* Os Preteristas ensinam que a maior parte, ou até mesmo todas as profecias já se cumpriram. Acreditam que as principais porções proféticas das Escrituras (como o Sermão Profético e o livro de Apocalipse) se cumpriram nos eventos relacionados à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d. C.

 

Extraído (com adaptações) do artigo de Thoma Ice "Preterismo e Zacarias" –  http://www.pre-trib.org

 

Quando uma profecia é cumprida na história? Idealismo

Filed Under (Quando uma profecia é cumprida na história?) by Geração Maranata on 19-11-2010

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por Geração Maranata

Há quatro pontos de vista sobre possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica:

Presente (Historicismo)

Passsado (Preterismo)

Futuro (Futurismo)

Atemporal (Idealismo)

Nesta terceira série será abordado o Idealismo.

O Idealismo é uma das quatro possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica. Ele tenta responder à pergunta:

 

“Quando uma profecia é cumprida na história?”

 

Na escatologia o Idealismo é também chamado de abordagem espiritual, alegórico, não-literal, atemporal, etc. Trata-se de uma interpretação do Livro do Apocalipse baseado em alegoria e símbolos não-literais.

Essa abordagem diz que o Apocalipse não deve ser entendido no contexto de uma época ou acontecimento específico, porém são verdades e princípios básicos com os quais Deus age na História. O livro seria unicamente um conjunto de idéias teológicas, válidas para qualquer época. O Apocalipse se torna um grande drama que retrata realidades espirituais.

Esta explicação tem semelhanças com a interpretação alegórica presente na igreja do período medieval.

Para o Idealismo os símbolos não-literais são perpétuos e ciclicamente preenchidos num sentido estritamente espiritual, durante o conflito entre o Reino de Deus e as forças de Satanás em todo o tempo do primeiro advento até a Segunda vinda de Cristo. O livro é visto da perspectiva que representa o conflito continuo entre o bem e o mal, sem conexão histórica imediata para qualquer evento político ou social.

O idealismo nega que haja uma cronologia dos eventos. Para os idealistas a cronologia é um mistério não revelado.

Apesar das muitas declarações da profecia bíblica que parecem tratar do cumprimento temporal de um evento em relação a outro, os Idealistas não crêem que a Bíblia indique qualquer cronologia de eventos e nem que possamos determinar antecipadamente o tempo de sua ocorrência. Como as passagens proféticas ensinam principalmente grandes idéias ou verdades infinitas sobre Deus e a vida cristã, podem ser aplicadas como princípios atemporais.

Seus defensores alegam que a doutrina das últimas coisas não tem qualquer efeito sobre a história da humanidade.

A abordagem não-literal da profecia raramente é adotada por conservadores e evangélicos atuais. Muitos liberais, que não crêem em um Deus sobrenatural que pode prever o futuro, apóiam esse ponto-de-vista por seu potencial de fazer com que o texto diga virtualmente qualquer coisa.

Essa abordagem escatológica é distinta do Preterismo, Futurismo e Historicismo na medida em que não vê nenhuma das profecias (exceto em alguns casos, a Segunda Vinda e o Juízo Final), sendo cumpridas em sentido literal, físico, terrestre, ou no passado, presente ou futuro.

Mas, o que dizer das profecias que foram cumpridas? Será que elas não referendam as que estão por se cumprir? Se cremos em uma, como podemos não crer na outra.

Alguns amilenistas apóiam esse ponto de vista, tais como Henry Alford, William Hendriksen, RCH Lenski, William Milligan, Earl Morey, Leon Morris, SL Morris, Rousas John Rushdoony, HB Swete, Edward J. Young, Abraham Kuyper, Anthony A. Hoekema, Lewis Berkhof, GC Berkouwer, Maurice FD e Geoffrey B. Wilson.

 

Fontes pesquisadas:

http://www.wikipedia.org

Livro “Profecias de A a Z” de Thomas Ice & Timothy Demy

http://www.teofilos.net – Apocalipse – Estudo Introdutório

**Geração Maranata** Se for copiar cite a Fonte!

Quando uma profecia é cumprida na história? Preterismo

Filed Under (Quando uma profecia é cumprida na história?) by Geração Maranata on 12-10-2010

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This entry is part 1 of 4 in the series Quando uma profecia é cumprida na história?

por Geração Maranata

Há quatro pontos de vista sobre possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica:

Presente (Historicismo)

Passsado (Preterismo)

Futuro (Futurismo)

Atemporal (Idealismo)

Nesta segunda série será abordado o Preterismo.

O Preterismo é uma das quatro possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica. Ele tenta responder à pergunta:

“Quando uma profecia é cumprida na história?”

 

A palavra "preter" é um prefixo do latim praeter, que significa passado ou além de. O derivado "Preterista" significa aquele que encara o cumprimento do Apocalipse como coisa que já teve lugar no passado. O jejuíta Luis De Alcazar (1554-1613) foi o criador dessa escola.

O Preterismo é um método muito popular para o estudo do Apocalipse entre os eruditos críticos. Esta interpretação diz que as principais profecias do livro do Apocalipse cumpriram-se na destruição de Jerusalém (70 dc) e na queda do Império Romano, com a vitória da Igreja como resultado final em sua luta contra Roma.

Considera que o Apóstolo João escreveu o livro do Apocalipse antes da destruição do Templo em 70 d.C. e que estas profecias seriam fatos que aconteceram na mesma época de quando o livro foi escrito. Suas profecias foram cumpridas até o tempo de Constantino e até o começo do quarto século depois de Cristo.

Nota: Alguns estudiosos negam a autoria do Apóstolo João e propóe que seja outro João desconhecido.

O argumento usado pelos preteristas pressupõe que o livro foi escrito para confortar os cristãos e relatar as perseguições pelas quais estavam passando.    João – o apóstolo – tinha como endereço as igrejas do século I d.C. A grande maioria de seus teólogos defende que o provável período da escrita date à época de Nero como Imperador de Roma (54-68).   Os defensores dessa dessa interpretação difundiram, posteriormente, idéias pós-milenaristas.

O Preterismo interpreta de forma literal os seguintes versículos-chaves:

  • (Mt. 10:23) Quando forem perseguidos num lugar, fujam para outro. Eu lhes garanto que vocês não terão percorrido todas as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem.
  • (Mt. 16:28) Garanto-lhes que alguns dos que aqui se acham não experimentarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo em seu Reino.
  • (Mt. 23:35-36) E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração.
  • (Mt. 24:34) Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas estas coisas aconteçam.
  • (Mt. 26:63-64) Mas Jesus permaneceu em silêncio. O sumo sacerdote lhe disse: “Exijo que você jure pelo Deus vivo: se você é o Cristo, o Filho de Deus, diga-nos”. “Tu mesmo o disseste”, respondeu Jesus. “Mas eu digo a todos vós: Chegará o dia em que vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.

 

O Preterismo pode ser dividido em Preterismo Completo e Preterismo Parcial.

Preterismo Completo

O Preterismo Completo ou Total acredita que todas as profecias foram cumpridas com a destruição de Jerusalém, incluindo a ressurreição dos mortos e a Segunda Vinda Jesus. O Preterismo Completo também é conhecido por outros nomes: Preterismo Consistente, Escatologia de Pacto e Hiper-Preterismo.

O Preterismo Total sustenta que a Segunda Vinda de Jesus não deve ser interpretada como um regresso corporal futuro, mas uma "presença" manifesta através da destruição física de Jerusalém e seu Templo no ano 70 d. C. pelos exércitos de Roma, de forma similar a várias descrições no Antigo Testamento, onde Deus destruiu outras nações em julgamento justo.

O Preterismo Total também sustenta que a Ressurreição dos mortos não é uma ressurreição física, mas uma ressurreição das almas do "lugar dos mortos", conhecido como o Seol (Hebreu) ou Hades (Grego).

Neste caso, os mortos justos obtiveram um corpo espiritual e substancial para ser usado nos lugares celestiais, e os mortos injustos foram atirados ao Lago de Fogo.

Alguns proponentes do Preterismos Total acham que este julgamento é constante e acontece durante a morte da cada indivíduo (Hebreus 9:27): "E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo."

Os Novos Céus e Nova Terra também são equiparados com o cumprimento da Lei no ano 70 d. C. e devem ser interpretados da mesma maneira, pois o Cristão é considerado como uma "nova criação" quando este vem à fé em Cristo.

Síntese:

  • Todas as profecias já foram cumpridas.
  • A segunda vinda de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento, o dia do Senhor e o dia do juízo ocorreram no ano 70 d.C.
  • Propõem que a “segunda vinda” e a “ressurreição do corpo” são espirituais.
  • É acusado de reintroduzir o ensino de Himeneu de que a ressurreição já aconteceu:"E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns." (2Tm. 2:17-18))

 

Preterismo Parcial

O Preterismo Parcial sustenta que algumas profecias já foram cumpridas, tais como: o governo do Anticristo, a Grande Tribulação e o Dia do Senhor como uma "vinda em julgamento" (Julgamento Final) de Cristo no ano 70 d. C., ocasião que o general Tito do Império Romano saqueou Jerusalém e destruiu o Segundo Templo, fazendo cessar o sacrifício diário de animais. Identifica a "Grande Babilônia" (Apocalipse 17-18) com a cidade pagã de Roma ou Jerusalém: "E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra."

O Preterismo Parcial é também conhecido por outros nomes como: Preterismo Ortodoxo, Preterismo Histórico e Preterismo Moderado.

A maioria (ainda que não todos) dos Preteristas Parciais acha que o termo “Últimos Dias” não se refere aos últimos dias do planeta Terra nem aos últimos dias da humanidade, mas aos últimos dias do pacto Mosaico que Deus estabeleceu exclusivamente com a nação de Israel. Assim como Deus veio em julgamento sobre várias nações no Antigo Testamento, Cristo também veio em julgamento contra aqueles que o rejeitaram em Israel.

O termo "Últimos Dias" deve ser distinguidos de o "Último Dia", pois este é considerado como cumprimento no futuro e inclui a Segunda Vinda de Jesus, a Ressurreição dos mortos, justos e injustos, o Julgamento Final, e a criação de um Novo Céu e Nova Terra literal (e não com referência a um pacto) livre da maldição do pecado e a morte que veio pela queda de Adão e Eva.

Os Preteristas Parciais acham que a nova criação, redimida, surgirá progressivamente enquanto Cristo reina em seu trono celestial, subjugando seus inimigos, e culminará na destruição da morte física, o "último inimigo" (1 Cor 15:20-24): "Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força."

A grande maioria dos Preteristas Parciais defende também o Amilenismo ou o Pós-Milenismo.

Síntese:

  • Algumas profecias foram cumpridas na geração dos dias de Jesus;
  • Cristo veio em julgamento sobre Jerusalém em 70 d.C. e que este foi um dia do Senhor e não “O dia do Senhor”;
  • Faz parte da crença cristã por muitos anos e de várias denominações que defendem que a queda de Jerusalém em 70 d.C. foi um cumprimento importante da profecia.
  • Cristo veio em julgamento contra Jerusalém na guerra judaica de 67-70 d.C., mas não veio corporalmente, que é justamente a segunda vinda (Atos 1:11):
  1. Ele veio em Pentecoste como o Espírito de Jesus (João 14:16-18);
  2. Ele veio em julgamento e ira contra Jerusalém em 66-70 d.C. Lucas 21:23, Ap. 6:16 (cf. Lucas 23:30);
  3. Ele retornará corporalmente em algum ponto no futuro, em cujo tempo os mortos em Cristo serão ressuscitados (Atos 1:11, 1Ts. 4:16);
  4. Em João 14:16-18 Jesus fala da sua vinda aos discípulos como a vinda do Espírito: “E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês. Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês.”
  • Vêem a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. como cumprindo as profecias de Jesus com respeito à destruição de Jerusalém:
  1. Em Mt. 23:35-36, um pouco antes do sermão no Monte das Oliveiras (Mt. 24), Jesus diz que a vingança pelo sangue justo dos profetas derramado em Jerusalém “sobrevirá a esta geração”, querendo dizer a geração a qual Jesus está se dirigindo: “E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar. Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração.”

 

Outro tipo de interpretação Preterista vista por Albertus Pieters ( autor do livro "Studies in the Revelation of St. John"):

1. Ala direita

Essa escola Preterista é representada por Moses Stuart, Clarence Augustine Beckwith e J. P. M. Sweet.  Acreditam na inspiração do livro do Apocalipse e que a maior parte do livro já se cumpriu nos dias do Império Romano, ao tempo de Domiciano. Já o juízo final e o perfeito estado da humanidade ainda aguardam cumprimento. Entendem que o Apocalipse foi escrito para os dias da perseguição na Ásia Menor, e que a aplicação para o nosso tempo só é relevante do ponto de vista literário, ao menos em sua maior parte.

2. Ala esquerda

Essa Escola Preterista entende que o livro do Apocalipse não é literatura inspirada. Acreditam que o livro é igual a qualquer obra apocalíptica escrita naquela época e que só tem valor literário. Segundo esta interpretação, João nada sabia do futuro por inspiração; portanto, não esperam que se cumpram na vida da Igreja os acontecimentos ali registrados.

 

A Grande Tribulação refere-se à destruição de Jerusalém em 70 d.C.

Embora o período da Grande Tribulação em Mateus 24:21 ("Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver."seja interpretado freqüentemente como sendo mundial e ocorrendo no 'fim do mundo', a análise Preterista propõe outra interpretação:

  • O relato paralelo de Lucas 21:20-24 mostra que Mt. 24:21 refere-se à queda de Jerusalém em 70 d.C;
  • Ela foi localizada na região da Judéia – não foi mundial, pois aqueles na Judéia são ordenados a correr para as montanhas em todos os três relatos paralelos (Mt. 24:16, Marcos 13:14, Lucas 21:21);
  • O fato que Jesus diz que “jamais haverá” uma tribulação semelhante indica que ela não ocorre no final do mundo;
  • As referências a “esta geração” em Mt. 23:36 e Mt. 24:34 indicam que Ele estava falando sobre algo dentro do período de vida de alguns dos discípulos (também Lucas 23:28).

 

Visão Preterista do Fim dos Tempos

Trata o Apocalipse como uma imagem simbólica de conflitos da igreja primitiva que já se cumpriram. Em diferentes níveis esta visão combina a interpretação alegórica e simbólica com o conceito de que o Apocalipse não lida com eventos futuros específicos.

De acordo com a visão Preterista do fim dos tempos, os capítulos 6 a 18 de Apocalipse são simbólicos e alegóricos, não descrevendo eventos literais. Já o capítulo 19, deve ser entendido de forma literal: Jesus Cristo irá retornar literal e fisicamente. Então, o capítulo 20 é de novo interpretado alegoricamente. A seguir, os capítulos 21 e 22 são entendidos pelo menos parcialmente de forma literal, que haverá realmente um Novo Céu e uma Nova Terra.

 

Argumentos de Defesa

1 – Nenhuma literatura poderá ser devidamente compreendida sem que se entenda a sua formação, o seu fundo histórico. Compreende-se melhor o Apocalipse quando se conhece os bastidores da perseguição de Domiciano.

2 – O principal propósito do livro era "revelar" aos cristãos perseguidos o quanto Cristo estava próximo deles e a certeza duma rápida vitória de Sua causa sobre as artimanhas imperiais de Roma.

3 – Assim como o Cristo ressurreto venceu toda a oposição, da mesma forma, os cristãos alcançarão vitória igualmente sobre qualquer tribulação e em qualquer época (inclusive a nossa). Deus reina a partir de seu trono e Cristo tem as chaves da morte e do destino.

4 – Pode-se adotar este método sem se admitir que o propósito de Deus na cruz de Cristo irá falhar e que Ele recorrerá à espada para estabelecer seu Reino. As mesmas verdades e princípios contidos nos ensinos de Jesus e na pregação e escritos dos apóstolos são encontrados no Apocalipse, quando adotamos este método de interpretação.

 

Conclusão:

A interpretação Preterista resumiria o Apocalipse a um manual de história da Igreja sob os Césares, afirmando que todo o livro foi já cumprido nos dias do Império Romano.

Essa interpretação é acusada de ser muito abstrata e é rejeitada por muitos estudiosos em escatologia.

Este método é praticamente oposto ao método futurista. Os futuristas afirmam que nada do livro se cumpriu ainda.

 

Para saber mais: Livro “The Last Days according to Jesus” de R. C. Sproul

 

Fontes:

www.maxmode.blogspot.com/

www.gotquestions.org/portugues/Preterismo.html

www.a-milenismo.blogspot.com

www.monergismo.net.br

www.pt.wikilingue.com

 

Quando uma profecia é cumprida na história? Historicismo

Filed Under (Quando uma profecia é cumprida na história?) by Geração Maranata on 04-10-2010

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por Geração Maranata

Há quatro pontos de vista sobre possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica:

Presente (Historicismo)

Passsado (Preterismo)

Futuro (Futurismo)

Atemporal (Idealismo)

O Historicismo é uma das quatro possíveis interpretações do tempo na profecia bíblica. Ele tenta responder à pergunta:

"Quando uma profecia é cumprida na história?"

 

A escola de pensamento Historicista afirma que as profecias se cumprem no decorrer da história. Sendo assim, muitas profecias ainda estão se cumprindo ou por se cumprir. No Historicismo a profecia descreve a história humana da forma como ela se relaciona ao povo de Deus.

Os livros de Daniel e Apocalipse são um histórico profético da igreja e do mundo. As predições dadas não são somente movimentos gerais na história. Eventos específicos são preditos. Isso inclui a identificação de datas reais do calendário, procurando encontrar a realização terrena ao longo da história, especialmente em relação à luta entre a igreja verdadeira e apostasia.

Os Historicistas interpretam que o Apocalipse se desenrola através de épocas históricas. Geralmente, cada uma das sete igrejas é retratada como um período de tempo na história da igreja. Os defensores desta posição tendem a se ver como a igreja da última geração antes da 2ª vinda de Cristo.

Os reformadores do século XVI eram historicistas. Esta teoria foi defendida quase unanimemente pelos protestantes da Reforma até quase 100 anos atrás, sendo também adotada por muitas Igrejas no início no século XIX até hoje.

Uma característica comum das interpretações Historicistas é a identificação do Anticristo, a besta (Apocalipse 13), o homem do pecado ou o homem da iniqüidade (II Tessalonicenses 2), o pequeno chifre de Daniel 7 e 8, e a Prostituta da Babilônia (Apocalipse 17) com a Igreja Católica Romana e o Papado. Por isso é fácil entender o porquê desse ponto de vista seguidamente ser chamado de "protestante".

Outra característica é igualar a atual era da Igreja ao período da Tribulação utilizando-se da teoria dia/ano. O Historicismo toma literalmente números como 2.300 dias (Daniel 8.14) e 1.290 dias (Daniel 12.11) e os transforma em anos. Então, se alguém encontrar o ano inicial certo, basta apenas acrescentar 2.300 ou 1.290 anos para descobrir a data da volta de Cristo. Além disso, os historicistas também relacionam os juízos dos selos, das trombetas, e das taças a importantes eventos históricos nos últimos 2.000 anos. Por exemplo, o quinto selo em Apocalipse 6 é identificado com o martírio sob o imperador romano Diocleciano (284-304

Esta abordagem, naturalmente leva os historicistas a marcar datas.

A maioria dos esquemas elaborados pelos historicistas se concentra na história da Europa, mas existe um segmento que substitui a Europa pelos Estados Unidos. Algumas dessas pessoas acham que os EUA estão cumprindo as profecias referentes à Babilônia.

O quadro a seguir é um exemplo de interpretação histórica do livro de Apocalipse 6-19 feita por Albert Barnes (*)

ITEM DESCRIÇÃO INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA DE BARNES
Primeiro Selo (Ap.6) Cavalo Branco – um Conquistador Paz e triunfo do Império Romano de Domiciano a Cômodo (96-180)
Segundo Selo (Ap.6) Cavalo Vermelho – guerra Sangue derramado a partir do reinado de Cômodo (193-)
Terceiro Selo (Ap.6) Cavalo Preto – fome Calamidade a partir do tempo de Caracala (211-)
Quarto Selo (Ap.6) Cavalo Amarelo – morte Morte por causa da fome, etc. Décio até Galieno (249- 268)
Quinto Selo (Ap.6) Mártires Martírio sob o gover no de Dioolociano (284-304)
Sexto Selo (Ap.6) Perturbações Celestiais Consternação pela ameaça das invasões dos bárbaros, godos e hunos (365-)
Primeira Trombeta (Ap.8) 1/3 da terra é atingido Alarico e os godos invadem o Império Romano Ocidental (395-410)
Segunda Trombeta (Ap.8) 1/3 do mar é atingido Invasões de Genserico e dos vândalos (428-468)
Terceira Trombeta (Ap.8) 1/3 dos rios é atingido Invasão de Átila e dos hunos (433-453)
Quarta Trombeta (Ap.8) 1/3 do sol, da lua e das estrelas é atingido Odacir e Heruli conquistam o Império Romano Ocidental (476-490)
Quinta Trombeta (Ap.9) Tempestade dos gafanhotos Poderes sarracenos e maometanos surgem no Oriente (5 meses de Apocalipse 9.5 -150 anos)
Sexta Trombeta (Ap.9) Cavaleiros massa­cram 1/3 dos homens Poderes turcos surgem no Oriente
O anjo e o livrinho (Ap.10) 0 anjo entrega o livro a João Reforma Protestante. Os 7 trovões de Apocalipse 10.3-4-falsa doutrina dos papas
A besta e o Falso Profeta (Ap.13) Eles blasfemam por 42 meses A carreira maligna da Roma eclesiástica e civil, 42 meses de Apocalipse 13.5-1.260 anos!
     
ITEM DESCRIÇÃO INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA
Primeiras cinco taças são derramadas (Ap.16) Punição pelas úlceras; mar, rios e sol atingidos; escuridão A Revolução Francesa e os ataques dos seus segui dores ao papado
Sexta taça é derramada (Ap.16) O caminho é prepara do para os exércitos irem até o Armagedom Os espíritos semelhantes a rãs chamados de paganismo, islamismo e romanismo preparam seu combate final contra o Evangelho
Sétima Taça é derramada (Ap.16) Terremoto e granizo; a Babilônia é relembrada para ira O poder papal é destruído
A Babilônia é destruí da (Ap.17-18) A Babilônia é destruída Destruição do poder papal
Batalha do Armagedom (Ap.19) Cristo derrota a besta e seus exércitos O evangelho finalmente triunfa moralmente sobre seus inimigos que aparecem "como se" fossem devorados por pássaros

(*)Albert Barnes (1798 – 1870), americano, teólogo presbiteriano e comentarista bíblico.

Conclusão:

O Historicismo tornou-se uma interpretação dominante escatológica nos conflitos entre protestantes e católicos da Reforma. A abordagem historicista foi defendidada por Martinho Lutero e João Calvino.

Alguns Pré-milenistas gostam de mesclar a posição historicista com posições futuristas.

Amilenistas que adotoram a teoria Historicista: Albert Barnes, Robert Caringola, Adam Clarke, E.B. Elliott, Matthew Henry, e Fred P. Miller.

Outros Historicistas conhecidos: Issac Newton, Ellen White e Guinness.

O livro Prophetic Faith of Our Fathers [A fé profética de nossos pais], do autor L. E. Froom é uma excelente leitura para quem deseja saber mais sobre o historicismo.

Entre os protestantes conservadores, o Historicismo foi suplantado no século XIX pelo Futurismo, com o surgimento da teologia dispensacionalista.

Ainda hoje, alguns eruditos protestantes são conhecidos como historicistas.

 

Para saber mais: http://www.historicism.net/

Fontes:

http://www.arminianismo.com

http://www.wikipedia.org

Livro "Profecias de A a Z" de Thomas Ice & Timothy Demy

 

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